quinta-feira, 30 de abril de 2015

vestiu camiseta preta e foi
achou que já na calçada fossem olhar pra ela e notar seu luto
tinha olheiras
escreveu poema de madrugada
pensou na escola
na garota que fala batendo palmas porque assim é melhor pra ela
na chatice de entregar notas
acordar cedo e saber que acabou o leite
mais uma vez não foi bem assim
ninguém notou seu luto enquanto tomava uma média com pão na padaria
nem os dois policiais dentro da viatura estacionada na  esquina
talvez estivessem lendo as notícias lá do Paraná
tudo parece tão perto nesse mundo virtual
por um instante teve vontade de xingar e sair correndo
e se lembrou do vinagre na bolsa
na correria pela Rio Branco
de se perder dos amigos
e de cruzar com outros já de volta
anda estranha
imagine se isso é coisa de se pensar de manhã
e com céu nublado
melhor pedir pra contar seu tempo lá na escola
talvez falte pouco pra se aposentar
tudo anda tão rápido e triste nesse mundo real






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