sábado, 9 de outubro de 2010


Carolina


Reconheço a Carolina do Chico na menina da sala

guarda como a dos versos o peso do mundo

dos adultos

da vida ainda não escolhida

Quando as mãos não conseguem desenhar palavras

é pela boca que saem as histórias

bem contadas

Gosto de ouvir

de saber o que pensa sobre os dias

Aprendo com ela

mais que ensino

Porque não se ensina na escola tudo

o que de verdade importa saber

menos ainda como buscar os sonhos

Dulce

Renan


digo que parece príncipe

saído de livro bonito

de capa dura e ilustração bem feita

todos os traços bem desenhados

tem requinte nos gestos

disfarça um sorriso de orgulho quando ouve elogio

mas no fundo sabe da sua nobreza

que veio de muito tempo

de lugar lá de longe

separado daqui pelo oceano

pelas forças da natureza

que insistem em suas marcas

nos filhos que moram aqui


dulce




Flávio


quase não se ouve a voz

os colegas falam por ele

é garoto sério

de se confiar

traz com ele uma promessa boa

de que tudo vai dar certo


dulce



JOnatha


Jeito bom

rápido

desliza quando se faz moleque

e brinca

e ri

e faz cara de feliz

nunca fala de tristeza

olha que sabe bem dela

não se faz de rogado

e pede o doce

e a resposta certa

e também carinho

tudo no meio da roda

quando ela se esquece de girar ao contrário

e vai do jeito certo

como a vida prometida pra todo menino

dulce



Tayline e Jéssica


chegaram meio de lado

do outro lado

pareciam diferentes

mas não

junto com o tempo

mostraram-se iguais

fizeram amigos

confidenciaram segredos

ouviram histórias desconhecidas

e entenderam

hoje são elas mesmas mais os outros

soma
porque não chegaram ali por acaso

dulce


Fernando


o corpo de rapaz guarda uma alma mais velha
os olhos atestam a idade

na agilidade experiente

entra e sai com pressa

busca uma saida para além daquele lugar
por isso procura entender os livros
dando seu jeito
faz tudo o que pode
não se deixa aprisionar
fica por querer


dulce