quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Gosto demais das boas surpresas. O prazer de descobrir algo no meio do caminho para dar a certeza de que ainda vale a pena é incomparável. Hoje, na aula de música de uma amiga querida,Roseana Barbosa Soares, no Núcleo de Artes, fui muito feliz por mais ou menos uma hora. Você sabe bem como gosto de Guimarães Rosa, e como repito suas frases por aí. Aquela da felicidade que se encontra nas horinhas de descuido então... E foi assim. Num descuido, afastada dos compromissos mais urgentes (e chatos), num subir mais um lance de escada, encontrei a felicidade.

Minha amiga e sua turma. Lindo! Emocionante ver cada uma daquelas crianças cantando. Poesia. Ouvir Vinícius de Moraes numa inesperada tarde de quarta é emoção para se guardar. Meu olhar de professora, como o da Roseana, depois de tantos anos, ainda busca o que existe além do espaço que ocupamos na escola. Somos tão mais que os números estampados nos jornais, alardeando tragédias, ou ainda, muito mais que falsas estátisticas de sucessos duvidosos que cismam em empurrar para o povo. Inúmeros projetos. Tantas definições... Tão poucos resultados...

Enquanto ouvia a turma cantar "se todos fossem iguais a você/que maravilha viver..." agradeci a Vinícius por ter feito aquela poesia. Agradeci por estar ali vendo o quanto é possível repartir emoções. Um por um, com suas vozes afinadas, confirmaram naquele pouco tempo que podemos. Agradeci por ter escolhido ser professora. Pensei em quantos já me ouviram ler um poema, os textos repetidos por mim porque acredito na força deles (na dos textos e também na de quem os ouve). De verdade entendi mais uma vez o papel da ARTE.

Amo a Literatura e a Arte da Monica Baldissara e a Música da Roseana. Tenho um orgulho enorme de fazer parte desse tipo de gente que se arrepia, que fica com os olhos molhados, e que ainda se surpreende com os resultados maravilhosos de nossos alunos.

Lá onde os meninos da turma de hoje vivem, a vida cotidiana quase sempre tão urgente, não encontra espaços convencionais para a arte. A arte se apresenta pela beiradas. A realidade nua não dá conta da vida. A vida é tão maior que o estabelecido pelas regras... Os meninos da Roseana encontraram ali naquela sala, o verdadeiro papel da escola: o de estimular o que há de melhor em nós. Sim, em nós, professores e alunos. A delícia de compartilhar. Hoje fui feliz por descuido. Roseana, se todos fossem iguais a você...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vazio. Lugares vazios. E nossas cabeças cheias de ideias. Ideais de mundo bom. Futuro. Insano contar com quem nada sabe de nós, da nossa lida. Relatórios: palavras que não dão conta da verdade.Na carne exposta, no sangue vivo,na dor e lamento, no sussurro. Enquanto os jornais gritam "quem dá mais por essa história?", observamos os personagens de uma narrativa bem construída. O vilão e o herói, o mocinho e o bandido. Ninguém mais acredita em final feliz. Inventam.Calam a realidade no noticiário da tv. Se é no real se esconde o preço da dor, Gullar, quem sabe ainda ela caiba na poesia? Dulce