segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para Mayara Cristina


Conta histórias como quem aprendeu nos livros
mas não
a memória da escrita vem de lugar desconhecido
detalhes nas palavras precisas
escolhidas.
Decifrá-la em sua labuta é como ler mais histórias
de fadas
princesas
bruxas divertidas.
Certeza tem quem ouve
que personagens
renascem
em linhas tortas
em espaço novo
para espanto feliz
de todos.

Dulce





Mayara

Tentativa de escrever sobre ela,
porque mais valia desenhá-la,
preenchendo a folha com cores fortes,
linhas retas,
traços marcados.
Também não seria suficiente.
Como deixar que soubessem da sua voz,
se não pelos sons vibrando nos ouvidos da gente.
Seus passos barulhentos arrastam os olhos
desejosos de confirmarem seu caminho.
Transita por todos os lugares:
sai da sala,
desce escadas,
conhece bem os espaços.
Conter sua vontade
impossível.
Só se ela quiser.
E parece querer,
até para procurar a melhor saída
para ajustar-se à vida.

Dulce



Michel

Chegou o "Vagabundo"!
Garoto conhecido na escola
de cara bonita
e jeito de bom malandro.
Reconhecimento.
Voltas pela sala para marcar território
(como se precisasse)
por conta da sobrevivência.
Começo arredio.
Não demorou o tempo de mostrar-se
com suas respostas espertas
e jeito de quem ensina
parecendo até ter vivido mais que sua idade.
Surpresa!
Volta e meia derrapa no descompromisso
foge errando a porta da sala.
Parece estar tempo demais ali,
mas também não quer deixar o lugar
onde mais que um nome é personagem.
Tomara Deus que não se perca!

Dulce






quinta-feira, 24 de junho de 2010

tiramos o coração do lugar
mexemos em tudo
descobrimos
o corpo
reviramos as folhas
do livro
e nas imagens
e naquele boneco
de se ver por dentro
encontramos respostas
para o jogo do perceber-se
homem
mulher

Dulce
Para Germano,por escolha Jacó

Menino de ginga
dos muitos personagens
Mudou de nome por conta da sua vontade
de mascarar-se
mudar de voz
de corpo
Menino
artista
de público assíduo
Batem palmas
entendem o texto
divertem-se
De novo
a imagem ficará nos dali
nos de perto
porque os de fora não sabem dele

Dulce
O barulho esconde as palavras
incomoda os sentidos
de cara afasta o contato
Os gritos esmagam qualquer doçura
Aprenderam a chegar assim
contrariando regras
abrindo as portas com os pés
Invadem os espaços
Dão a cara a tapa
e brigam por qualquer coisa
Quando se distraem
suavizam o olhar
deixam escapar verdades
Trabalho dobrado
o de perceber o avesso
das marcas
a cicatriz do corte
Mais fácil seria continuar na superfície

Dulce

domingo, 20 de junho de 2010

Hoje entendi você


me olhando


pedindo ajuda


com palavras soltas


no papel os desenhos cuidadosos


a espera de atenção


leitura


tortura


desejo


uma vida toda pra se decifrar


e enganar


não sabe

sabe


tem jeito mais não


senão


o dizer sem palavras


apertadas


o pensar incompleto


deserto


e ainda lá


a faca no peito


lá fora a corrida


por tudo inteiro


perfeito


traduzido em verbo


como no inicio


Dulce