hoje vão ficar me esperando
eu não vou
porque não posso
falar seria sacrifício
ouvir doeria um pouco
só aqui
com as palavras arrumadas como quero
_ ou como preferem estar?
fico melhor
Dulce
quinta-feira, 22 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
se fosse mulher de rezar muito
daquelas que sabem de cor orações bonitas
hoje seria um bom dia
dia de agradecer por estar na frente deles
ao lado
me sentindo parte de suas vidas
considerando muito importante meu trabalho
e a sala de aula meu território inviolável
também seria bom dia de pedir
pra não desacreditar
não olhar com medo
não trocar de calçada
nem me envergonhar
muito menos duvidar dos olhares
dos sorrisos
da cara de gente boa quando nos aproximamos
das visitas dos que não estão mais comigo
dos apelos pra serem meus alunos
dos elogios
dos olhos meio tristes quando o bicho pega lá fora
de mim
hoje seria um bom dia pra pedir proteção
e muita fé
daquelas que me fazem acreditar em final feliz
e gostar de poesia
Dulce
daquelas que sabem de cor orações bonitas
hoje seria um bom dia
dia de agradecer por estar na frente deles
ao lado
me sentindo parte de suas vidas
considerando muito importante meu trabalho
e a sala de aula meu território inviolável
também seria bom dia de pedir
pra não desacreditar
não olhar com medo
não trocar de calçada
nem me envergonhar
muito menos duvidar dos olhares
dos sorrisos
da cara de gente boa quando nos aproximamos
das visitas dos que não estão mais comigo
dos apelos pra serem meus alunos
dos elogios
dos olhos meio tristes quando o bicho pega lá fora
de mim
hoje seria um bom dia pra pedir proteção
e muita fé
daquelas que me fazem acreditar em final feliz
e gostar de poesia
Dulce
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
De volta.
Nem sei o que me não me deixou vir aqui mais vezes ano passado. Pensei em mim primeiro. Foi isso. Não dava mais pra seguir sem prestar um pouco mais de atenção em mim. Desgastada. Fraca mesmo. Sem olhar pra mim de frente. Preocupada demais com os outros. Com os problemas do mundo. Enquanto eu, sozinha, precisava de colo. Parei. Olhei mesmo pra dentro. Descobri o que ainda havia a fazer. Muito, muito ainda. Estou melhor como mulher. Me sinto mais completa,apesar de todas as mulheres que cabem em mim. Escrevo ainda no outro blog. Lá a produção foi grande. Contei histórias. Inveitei personagens. Comecei a fazer terapia. Descobri tanta coisa...Sai do lugar sofrido de vítima. Parti em busca do que ainda me faz feliz. A escola, com seus avessos, certamente está entre o que me completa. Começo um novo ano na escola.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Gosto demais das boas surpresas. O prazer de descobrir algo no meio do caminho para dar a certeza de que ainda vale a pena é incomparável. Hoje, na aula de música de uma amiga querida,Roseana Barbosa Soares, no Núcleo de Artes, fui muito feliz por mais ou menos uma hora. Você sabe bem como gosto de Guimarães Rosa, e como repito suas frases por aí. Aquela da felicidade que se encontra nas horinhas de descuido então... E foi assim. Num descuido, afastada dos compromissos mais urgentes (e chatos), num subir mais um lance de escada, encontrei a felicidade.
Minha amiga e sua turma. Lindo! Emocionante ver cada uma daquelas crianças cantando. Poesia. Ouvir Vinícius de Moraes numa inesperada tarde de quarta é emoção para se guardar. Meu olhar de professora, como o da Roseana, depois de tantos anos, ainda busca o que existe além do espaço que ocupamos na escola. Somos tão mais que os números estampados nos jornais, alardeando tragédias, ou ainda, muito mais que falsas estátisticas de sucessos duvidosos que cismam em empurrar para o povo. Inúmeros projetos. Tantas definições... Tão poucos resultados...
Enquanto ouvia a turma cantar "se todos fossem iguais a você/que maravilha viver..." agradeci a Vinícius por ter feito aquela poesia. Agradeci por estar ali vendo o quanto é possível repartir emoções. Um por um, com suas vozes afinadas, confirmaram naquele pouco tempo que podemos. Agradeci por ter escolhido ser professora. Pensei em quantos já me ouviram ler um poema, os textos repetidos por mim porque acredito na força deles (na dos textos e também na de quem os ouve). De verdade entendi mais uma vez o papel da ARTE.
Amo a Literatura e a Arte da Monica Baldissara e a Música da Roseana. Tenho um orgulho enorme de fazer parte desse tipo de gente que se arrepia, que fica com os olhos molhados, e que ainda se surpreende com os resultados maravilhosos de nossos alunos.
Lá onde os meninos da turma de hoje vivem, a vida cotidiana quase sempre tão urgente, não encontra espaços convencionais para a arte. A arte se apresenta pela beiradas. A realidade nua não dá conta da vida. A vida é tão maior que o estabelecido pelas regras... Os meninos da Roseana encontraram ali naquela sala, o verdadeiro papel da escola: o de estimular o que há de melhor em nós. Sim, em nós, professores e alunos. A delícia de compartilhar. Hoje fui feliz por descuido. Roseana, se todos fossem iguais a você...
Minha amiga e sua turma. Lindo! Emocionante ver cada uma daquelas crianças cantando. Poesia. Ouvir Vinícius de Moraes numa inesperada tarde de quarta é emoção para se guardar. Meu olhar de professora, como o da Roseana, depois de tantos anos, ainda busca o que existe além do espaço que ocupamos na escola. Somos tão mais que os números estampados nos jornais, alardeando tragédias, ou ainda, muito mais que falsas estátisticas de sucessos duvidosos que cismam em empurrar para o povo. Inúmeros projetos. Tantas definições... Tão poucos resultados...
Enquanto ouvia a turma cantar "se todos fossem iguais a você/que maravilha viver..." agradeci a Vinícius por ter feito aquela poesia. Agradeci por estar ali vendo o quanto é possível repartir emoções. Um por um, com suas vozes afinadas, confirmaram naquele pouco tempo que podemos. Agradeci por ter escolhido ser professora. Pensei em quantos já me ouviram ler um poema, os textos repetidos por mim porque acredito na força deles (na dos textos e também na de quem os ouve). De verdade entendi mais uma vez o papel da ARTE.
Amo a Literatura e a Arte da Monica Baldissara e a Música da Roseana. Tenho um orgulho enorme de fazer parte desse tipo de gente que se arrepia, que fica com os olhos molhados, e que ainda se surpreende com os resultados maravilhosos de nossos alunos.
Lá onde os meninos da turma de hoje vivem, a vida cotidiana quase sempre tão urgente, não encontra espaços convencionais para a arte. A arte se apresenta pela beiradas. A realidade nua não dá conta da vida. A vida é tão maior que o estabelecido pelas regras... Os meninos da Roseana encontraram ali naquela sala, o verdadeiro papel da escola: o de estimular o que há de melhor em nós. Sim, em nós, professores e alunos. A delícia de compartilhar. Hoje fui feliz por descuido. Roseana, se todos fossem iguais a você...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Vazio. Lugares vazios. E nossas cabeças cheias de ideias. Ideais de mundo bom. Futuro. Insano contar com quem nada sabe de nós, da nossa lida. Relatórios: palavras que não dão conta da verdade.Na carne exposta, no sangue vivo,na dor e lamento, no sussurro. Enquanto os jornais gritam "quem dá mais por essa história?", observamos os personagens de uma narrativa bem construída. O vilão e o herói, o mocinho e o bandido. Ninguém mais acredita em final feliz. Inventam.Calam a realidade no noticiário da tv. Se é no real se esconde o preço da dor, Gullar, quem sabe ainda ela caiba na poesia? Dulce
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